sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Reservatório da CEMIG de Gafanhoto é completamente infestado por aguapé

O aguapé (Eichhornia crassipes) trata-se de uma macrófita aquática flutuante invasora, nativa da Bacia Amazônica, cuja elevada capacidade de crescimento e propagação causam grandes problemas socioeconômicos. Destaca-se como uma das plantas de maior sucesso de colonização e crescimento, podendo sua área de cobertura aumentar em 15% ao dia, dobrando-se a cada semana. Infestações implicam em mortandade de peixes devido às baixas concentrações de oxigênio dissolvido, proliferação de organismos transmissores de doenças, impactos à geração de energia, navegação e abastecimento. Por essas razões, é considerada a principal planta daninha aquática flutuante no Brasil.

Os requerimentos ecológicos de E. crassipes sugerem que sua distribuição geográfica esteja diretamente relacionada com os ambientes aquáticos sujeitos à maior pressão antrópica, menor velocidade de escoamento e maior incidência solar (ESTEVES, 1998). Kobayashi (2006) verificou que seu desenvolvimento máximo ocorre em locais protegidos do vento e com elevada concentração de fósforo e nitrogênio.

O reservatório da CEMIG de Gafanhoto, localizado no rio Pará, em Divinópolis - MG, iniciou suas operações em 1946, com potência instalada de 14MW. No entanto, na última década o reservatório vem apresentando infestações pelo aguapé, devido provavelmente às contribuições pontuais de nutrientes das áreas urbanas à montante. As imagens do Google de 2004 e de 2014 permitem estabelecer uma comparação.

2004

2014

O atual cenário de infestação desta espécie exige o emprego de medidas e técnicas de controle, destacando-se a remoção mecanizada, aplicação de substâncias tóxicas e introdução de espécies de insetos, peixes e outros animais para o controle biológico, dentre outros. Entretanto, muitas destas técnicas são de custo elevado, outras como no caso do controle biológico, são de grande complexidade ou, ainda, quando do uso de constituintes tóxicos, há que se considerarem os riscos de sua toxicidade residual no ambiente e seus efeitos sobre a cadeia alimentar.

Referências
ESTEVES, F. A. Fundamentos de Limnologia. Interciência. 2ª Edição. Rio Janeiro, 1998.
KOBAYASHI, J.T. Nitrogênio ou Fósforo como fator limitante para o crescimento de Eichoornia crassipes Mart (Solms.) na planície de inundação do alto rio Paraná? Evidências obtidas em mesocosmos. Universidade Estadual de Maringá. Maringá-PR, 2006.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Modelo indica áreas atingidas pelo rompimento da barragem da Samarco

Para verificar a trajetória da lama provocada pelo rompimento das barragens do Fundão, em Mariana (MG), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) analisou imagens de satélites com o auxílio do HAND – um modelo digital de terreno que pode mapear áreas de risco e de vulnerabilidade a desastres naturais. Desenvolvido no INPE, o HAND considera a direção local de fluxo para representar o caminho da água no terreno até a drenagem mais próxima.
 
Os valores do modelo estão relacionados à profundidade do lençol freático e podem ser aplicados para inferir a variação de tipos de vegetação e a vulnerabilidade à inundação, entre outras aplicações. Imagem do satélite americano Landsat-8 obtida no dia 12 de novembro mostra alteração na reflectância das áreas atingidas pelo material liberado pela barragem. Para a análise comparativa, foi utilizada uma imagem gravada no dia 5 de outubro pelo satélite sino-brasileiro CBERS-4 (em fase de comissionamento). As imagens do CBERS-4 e do Landsat-8 foram processadas no SPRING, sistema de informações geográficas do INPE, e o modelo do HAND exportado em formato GeoTIFF pelo TerraHidro, software também desenvolvido no Instituto. Confira abaixo os resultados.

Antes
Antes imagem Cbers Modelo indica áreas atingidas pelo acidente em Minas Gerais
Imagem do satélite CBERS-4 do dia 5 de outubro. Sobre esta imagem, o HAND está representado por curvas de nível a cada 5 metros (5 metros-vermelho; 10m-amarelo; 15m-laranja; 20m-verde; 25m-azul; e 30m-ciano).

Depois
Depois Imagem Landsat Modelo indica áreas atingidas pelo acidente em Minas Gerais
Imagem do satélite Landsat-8 do dia 12 de novembro. Pode-se observar que nos locais próximos à barragem e sobre o distrito de Bento Rodrigues os rejeitos (em tons avermelhados) atingiram áreas localizadas entre as curvas de nível de 15 e 20 metros. O modelo HAND sobre um SRTM de 1 arcosegundo indica áreas que podem ser atingidas por eventos similares.

Fonte: Inpe