segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Áreas potencialmente inundáveis no Brasil: Uma Aproximação com Sistemas de Informação Geográfica.

 
O derretimento glacial devido às mudanças climáticas acarretará na elevação do nível médio dos mares e influenciará negativamente os processos físicos, as atividades econômicas e os sistemas sociais em regiões costeiras. O Brasil destaca-se mundialmente por possuir um dos litorais mais extensos entre todos os países. Mas quais trechos do litoral brasileiro são mais susceptíveis a elevação do nível do mar?

Para responder a esta pergunta, foram gerados áreas potencialmente inundáveis - APIs, baseados em um Modelo Digital de Elevação - MDE, composto por produtos do SRTM. Foram definidas três cotas de elevação do nível do mar para projetar possíveis cenários para o Brasil, 1 m, 3 m e 6 m, visando contemplar as projeções globais do IPCC (2007) e de Church e White (2006). Ressalta-se que cotas inferiores a 1 metro não podem ser identificadas utilizando o SRTM como MDE. Não foram excluídas as áreas potencialmente inundáveis localizadas em locais em que ocorrem barreiras geográficas.

No que se referem as simulações realizadas para os três cenários propostos, os resultados indicam projeções alarmantes para o litoral brasileiro. Por questões históricas de ocupação do Brasil, a maior parte da população brasileira concentra-se numa faixa de até 100 km do litoral. Assim, quatorze (14) das dezenove (19) cidades do país com mais de 1 milhão de habitantes localizam-se nessa faixa.
 
Distribuição espacial da população brasileira.

Entre as áreas que seriam afetadas pela elevação do nível do mar destacam-se: os deltas de grandes rios e planícies costeiras. A área de inundação prevista varia de 12.557 km², para o cenário de incremento de um metro, até 58.158 km², para a previsão de seis metros de elevação do nível do mar. 

Áreas potencialmente inundáveis pela elevação do nível do mar

Destacam-se os Estados do Pará e do Amapá (Norte), Maranhão (Nordeste) Rio Grande do Sul (Sul) como sendo aqueles com maior extensão territorial afetada. No norte, a planície fluvial do rio Amazonas, na divisa do Pará e do Amapá, apresenta-se como a maior área vulnerável em todo o país. A extensa planície costeira do Maranhão e o litoral do Rio Grande do Sul, especificamente entre as Lagoa dos Patos e a Lagoa Mirim, são outras regiões muito vulneráveis a qualquer cenário projetado.
 
 Regiões com maior potencial de inundação no Brasil: A) Foz do Rio Amazonas; e B) Litoral sul do Rio Grande do Sul, no entorno das Lagoas Mirim e dos Patos.

Entretanto, quando observadas as áreas edificadas afetadas, as regiões do sudeste e sul serão as mais impactadas. Isso se deve à maior densidade demográfica dessas regiões quando comparadas ao nordeste e, sobretudo, ao norte. Assim, a extensão territorial das áreas urbanas afetadas variam de 70 km², para um metro de elevação, até 849 km², para seis metros. A TABELA 03 e o GRÁFICO 02 exibem os quantitativos do total de área edificada por Estado para as três projeções de elevação do mar.
 
Extensão das áreas urbanas afetadas pela projeção de elevação do nível do mar




Áreas edificadas com grande potencial de inundação no Brasil: A) Baía de Guanabara – Rio de Janeiro; e B) Litoral da região metropolitana de Vitória - ES

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Mapeamento inédito mostra uso e cobertura do Cerrado

A Embrapa disponibiliza a partir desta semana no Sistema de Observação e Monitoramento da Agricultura no Brasil (SomaBrasil) mapas inéditos e detalhados do uso e cobertura da terra no Cerrado Brasileiro. Trata-se do TerraClass Cerrado, um dos maiores esforços técnicos já realizados para especificar as condições do segundo maior bioma da América Latina (a Amazônia é o maior) e que ocupa dois milhões de km² ou 24% do território brasileiro. O estudo envolve 1.389 municípios de onze estados mais o Distrito Federal.
 
 
A equipe multidisciplinar envolvida levou 18 meses para concluir o trabalho. Os resultados, inéditos, mostram, por exemplo, que a maior parte do bioma Cerrado (54,5%) ainda mantém as características de vegetação natural, ou seja, sem alterações decorrentes da atividade humana. As áreas com pastagens plantadas perfazem 29,4%. A agricultura (anual e perene) totaliza 11,6% da área.
 
A partir da disponibilização das informações é possível conhecer todas as informações referentes ao uso e cobertura da terra por estado, município, bacia hidrográfica ou por outros recortes geográficos. É possível monitorar e compreender dinâmicas relacionadas aos recursos naturais e produção agropecuária da região.
 
Os pesquisadores fizeram o estudo a partir de 121 cenas processadas digitalmente do satélite Landsat 8. O pré-processamento e segmentação foram realizados em cada cena isoladamente, gerando um banco de dados geográficos. A área mínima mapeável teve resolução espacial de 6,25 hectares, o que permitiu separar doze classes de uso e cobertura no território: agricultura anual e perene, corpos d’água, mineração, área urbana, pastagens, silvicultura, solo exposto, natural florestal, savânico, campestre e mosaicos de ocupação.
 
Participaram do trabalho aproximadamente 50 cientistas e técnicos de cinco instituições – Embrapa, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama); Universidade Federal de Goiás (UFGO) e Universidade Federal de Uberlândia (UFU) sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente. Pesquisadores e analistas da Embrapa Informática Agropecuária e da Embrapa Monitoramento por Satélite atuaram em todas as etapas do projeto, com destaque para o desenvolvimento metodológico do mapeamento e para classificação das áreas de agricultura anual e perene.
 
Edson Bolfe, um dos coordenadores do trabalho pela Embrapa, explica que os dados do TerraClass Cerrado devem ser atualizados a cada dois anos. “Eles permitem apoiar com maior precisão as ações de inteligência e macroestratégias relacionadas ao planejamento territorial e políticas públicas, como Plano ABC [Agricultura de Baixa emissão de Carbono] e o Plano de Desenvolvimento Agropecuário do Matopiba do Ministério da Agricultura”. Além disso, Bolfe destaca que as informações geradas irão facilitar o monitoramento do uso das terras, a definição de áreas para a implantação de sistemas de ILPF e o estabelecimento de novos cenários da agricultura no Cerrado brasileiro, o que contribuirá, segundo ele, para o desenvolvimento rural sustentável.
 
“A disponibilização dos dados do TerraClass Cerrado no SomaBrasil permite que a sociedade consulte, de forma fácil e ágil, os resultados do mapeamento, e realize consultas e cruzamentos espaciais”, afirma o pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite, Daniel Victoria, um dos coordenadores técnicos do projeto e responsável pelo SomaBrasil. Ele ressalta que será possível compreender melhor o uso e ocupação do Cerrado e a sua relação com outros planos de informações geoespaciais disponíveis no sistema, como solos, declividade, unidades de conservação, entre outros.
 
O estudo é importante para ajudar a definir uma política de ocupação sustentável. A criação de políticas públicas voltadas para a sustentabilidade da agricultura pode se apoiar na implantação de tecnologias para o uso mais eficiente das áreas que já estão sendo ocupadas, de acordo com os pesquisadores da Embrapa Informática Agropecuária Alexandre Camargo Coutinho e Júlio César Dalla Mora Esquerdo, que também coordenaram o projeto.
 
“Apesar de a agropecuária representar pouco mais de 40% do total do bioma, é importante destacar que as atividades antrópicas de baixo impacto e pouco intensivas ou de subsistência, como as pastagens naturais, não foram delimitadas e discriminadas pelo mapeamento, ou seja, estão incluídas na classe natural. Portanto, existe uma área significativa para a intensificação dos processos produtivos com base em princípios de sustentabilidade. Assim, é possível expandir as áreas produtivas com políticas públicas que favoreçam o desenvolvimento em equilíbrio com a conservação do bioma”, explica Coutinho.
 
Com a conclusão desta primeira versão do TerraClass Cerrado, agora são monitorados 73% do uso e cobertura da terra no Brasil, já que Embrapa e Inpe mantêm um sistema de monitoramento da Amazônia a partir de imagens de satélites e tecnologias de geoprocessamento (TerraClass Amazônia).
 
Os mapas e informações estão disponíveis no site do SomaBrasil e do Inpe.
 
Fonte: Embrapa

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O som do silêncio: um mapa do ruído nos Estados Unidos

Se você está procurando um pouco de paz e tranquilidade na terra do Tio Sam, o National Park Service (NPS) tornou essa tarefa um pouco mais fácil. Um novo mapa do NPS exibe os lugares mais ruidosos e os mais tranquilos dos Estados Unidos. O que eles encontraram não é surpreendente. A costa leste tende a ser a mais barulhenta, enquanto a oeste, na região que se estende desde as Montanhas Rochosas é o mais quieto, com suas grandes áreas de deserto e terras públicas.
 
Cientistas e investigadores no âmbito do Serviço Nacional de Parques coletaram dados de mais de 600 locais de monitoramento (mais de 1 milhão de horas de gravações) em todo o país. O NPS tem a responsabilidade de preservar a tranquilidade das terras sob seu cuidado, tarefa esta cada vez mais difícil de ser executada. Tanto o ruído quanto a poluição luminosa estão causando problemas imprevistos em áreas de deserto.
 
A poluição sonora em particular está causando preocupação por seus efeitos nocivos sobre não somente os seres humanos, mas animais selvagens, especialmente os animais que têm ouvidos sensíveis, como morcegos. Elevados níveis de ruído podem produzir mudanças no comportamento de comunidades inteiras de animais. Um estudo recente publicado na Global Change Biology descobriu que pássaros alteraram o calendário de suas canções em resposta ao ruído. O estudo também estima que um terço das espécies de aves irá desaparecer completamente das áreas que são mais ruidosas.
 
A poluição sonora ainda é um problema para os seres humanos, muitos dos quais querem fugir para lugares onde únicos sons naturais estão presentes. No entanto, os visitantes de lugares como Denali e Yellowstone têm de lidar com o ruído dos aviões que podem elevar o nível de ruído por cinco decibéis.
 
 
Clicando aqui você pode conferir a galeria de sons e ruídos do NPS.
 
Fonte: GIS Lounge.
 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Reservatório da CEMIG de Gafanhoto é completamente infestado por aguapé

O aguapé (Eichhornia crassipes) trata-se de uma macrófita aquática flutuante invasora, nativa da Bacia Amazônica, cuja elevada capacidade de crescimento e propagação causam grandes problemas socioeconômicos. Destaca-se como uma das plantas de maior sucesso de colonização e crescimento, podendo sua área de cobertura aumentar em 15% ao dia, dobrando-se a cada semana. Infestações implicam em mortandade de peixes devido às baixas concentrações de oxigênio dissolvido, proliferação de organismos transmissores de doenças, impactos à geração de energia, navegação e abastecimento. Por essas razões, é considerada a principal planta daninha aquática flutuante no Brasil.

Os requerimentos ecológicos de E. crassipes sugerem que sua distribuição geográfica esteja diretamente relacionada com os ambientes aquáticos sujeitos à maior pressão antrópica, menor velocidade de escoamento e maior incidência solar (ESTEVES, 1998). Kobayashi (2006) verificou que seu desenvolvimento máximo ocorre em locais protegidos do vento e com elevada concentração de fósforo e nitrogênio.

O reservatório da CEMIG de Gafanhoto, localizado no rio Pará, em Divinópolis - MG, iniciou suas operações em 1946, com potência instalada de 14MW. No entanto, na última década o reservatório vem apresentando infestações pelo aguapé, devido provavelmente às contribuições pontuais de nutrientes das áreas urbanas à montante. As imagens do Google de 2004 e de 2014 permitem estabelecer uma comparação.

2004

2014

O atual cenário de infestação desta espécie exige o emprego de medidas e técnicas de controle, destacando-se a remoção mecanizada, aplicação de substâncias tóxicas e introdução de espécies de insetos, peixes e outros animais para o controle biológico, dentre outros. Entretanto, muitas destas técnicas são de custo elevado, outras como no caso do controle biológico, são de grande complexidade ou, ainda, quando do uso de constituintes tóxicos, há que se considerarem os riscos de sua toxicidade residual no ambiente e seus efeitos sobre a cadeia alimentar.

Referências
ESTEVES, F. A. Fundamentos de Limnologia. Interciência. 2ª Edição. Rio Janeiro, 1998.
KOBAYASHI, J.T. Nitrogênio ou Fósforo como fator limitante para o crescimento de Eichoornia crassipes Mart (Solms.) na planície de inundação do alto rio Paraná? Evidências obtidas em mesocosmos. Universidade Estadual de Maringá. Maringá-PR, 2006.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Modelo indica áreas atingidas pelo rompimento da barragem da Samarco

Para verificar a trajetória da lama provocada pelo rompimento das barragens do Fundão, em Mariana (MG), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) analisou imagens de satélites com o auxílio do HAND – um modelo digital de terreno que pode mapear áreas de risco e de vulnerabilidade a desastres naturais. Desenvolvido no INPE, o HAND considera a direção local de fluxo para representar o caminho da água no terreno até a drenagem mais próxima.
 
Os valores do modelo estão relacionados à profundidade do lençol freático e podem ser aplicados para inferir a variação de tipos de vegetação e a vulnerabilidade à inundação, entre outras aplicações. Imagem do satélite americano Landsat-8 obtida no dia 12 de novembro mostra alteração na reflectância das áreas atingidas pelo material liberado pela barragem. Para a análise comparativa, foi utilizada uma imagem gravada no dia 5 de outubro pelo satélite sino-brasileiro CBERS-4 (em fase de comissionamento). As imagens do CBERS-4 e do Landsat-8 foram processadas no SPRING, sistema de informações geográficas do INPE, e o modelo do HAND exportado em formato GeoTIFF pelo TerraHidro, software também desenvolvido no Instituto. Confira abaixo os resultados.

Antes
Antes imagem Cbers Modelo indica áreas atingidas pelo acidente em Minas Gerais
Imagem do satélite CBERS-4 do dia 5 de outubro. Sobre esta imagem, o HAND está representado por curvas de nível a cada 5 metros (5 metros-vermelho; 10m-amarelo; 15m-laranja; 20m-verde; 25m-azul; e 30m-ciano).

Depois
Depois Imagem Landsat Modelo indica áreas atingidas pelo acidente em Minas Gerais
Imagem do satélite Landsat-8 do dia 12 de novembro. Pode-se observar que nos locais próximos à barragem e sobre o distrito de Bento Rodrigues os rejeitos (em tons avermelhados) atingiram áreas localizadas entre as curvas de nível de 15 e 20 metros. O modelo HAND sobre um SRTM de 1 arcosegundo indica áreas que podem ser atingidas por eventos similares.

Fonte: Inpe